sábado, 22 de janeiro de 2011

FESTA NA CASINHA!


Estamos em festa... festa na Casinha! Festa na Casinha e no meu coração. Festa que não tem data e nem hora para acabar.

Há um ano olhava para as muitas caixas espalhadas por toda a casa. E pensava como acomodar tanta coisa. Na verdade, poucas porém minhas. Lavava cuidadosamente as louças para acomodá-las na estante dificilmente montada por mim e pelo Danilo. Não foi fácil fazer o serviço de montador, mas foi incrivelmente gostoso. Contamos com a ajuda carinhosa de minha mãe. Tinha uma ansiedade em deixar tudo pronto e acordar no dia seguinte em um mundo novo.

Permitimos uma pausa para irmos até uma pizzaria mais próxima, pois a fome já tinha dado sinal há horas atrás. Uma chuva mansa caia e fomos recepcionados na porta por nossos vizinhos nos dando boas vindas. Lembro de uma frase que o Danilo deixou escapar "estou me sentindo na praia... de férias"! Risos.

Dormi achando tudo estranho e quando acordei, por um milésimo de segundo, não sabia onde estava. Depois suspirei relaxada. Movida por uma ansiedade misturada com uma vontade, em 48 horas estava tudo no lugar! E eu achava tudo muito encantador. Como não conseguia parar de olhar para o meu quarto, sentei-me na escada vermelha para admira-lo ainda mais. Apostei em uma mudança que tinha 50% de chance de dar certo. E deu! Consegui o meu SIM!

Hoje comemoro a chegada de um ano bom e brindo o ano que passou. Feliz com os acontecimentos, a mudança pra Casinha, as transformações que foram muito bem vindas. Esbanjo um sorriso largo no rosto. Feliz com a vinda da minha irmã para as festas de fim de ano e por toda a família aqui reunida. Por termos assistido juntos, o DVD que o Danilo comprou dos Trapalhões. Por ter invadido a cozinha e fazer os pratos mais deliciosos do mundo, por ter mergulhado no mundo enigmático das artes em Inhotim e por ter jogado muita conversa fora e muitas partidas de carteado. Simplicidade que me preenche.

Feliz por ter mostrado um pouquinho de mim nesse blog. Um autorretrato revelador, apesar da timidez escondida dentro de mim. Uma vida reservada, mergulhada em um mundinho só meu. Agora, talvez uma maneira de resgatar memórias adormecidas e transformações que ainda tento decifrar. Fragmentos de um vida com muitas histórias como de qualquer pessoa.

Tenho grandes suspeitas que nesse um ano, eu também envelheci. Pintei o cabelo várias vezes. Por outro lado, percebo que “remocei” com a felicidade. Sorri muito. E tenho certeza que amadureci.

Objetos, mobiliários, recordações e muitas histórias. Gente que vem e que vai. Gente que vem e quer ficar e muitos queridos que eu não queria que fossem embora. Assim é a Casinha: um espaço múltiplo, acolhedor, um sonho possível. Muito além do meu imaginário.

E os projetos continuam. Ainda mergulho nos meus sonhos e os coloco em uma escala de possíveis realizações. Sonho com coisas pequenas, próximas da realidade, fáceis de realizar  e sonho também com o quase impossível. Quem sabe eles também não se realizam? Nos sonhos, tudo pode!

Não quero que essa festa acabe. Obrigada meu Deus por me permitir viver tanta coisa boa na minha vida!

sábado, 15 de janeiro de 2011

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Organizando minha mudança e embalando as caixas com meus pertences, procurei desesperadamente por duas coisas: minha radiola que ganhei de aniversário aos oito anos de idade e meu álbum de figurinhas “Amar é...”. Não encontrei. Lembrei posteriormente que havia doado a radiola pra alguém (na verdade nem sei quem, caso contrário pediria de volta) e o álbum de figurinhas ficou no vácuo. Não sei de seu paradeiro. Uma pena. Recordações importantes pra mim.

Na vida real, percebo que meu álbum de figurinhas está incompleto. “amar é...”?

Perdi meu pai aos 18 anos e a casa ficou grande pra mim, minha mãe e minha irmã. Vazio inexplicável de uma dor que dói muito e que depois dói diferente. Vira saudade. (Explicação que encontrei no blog do meu pai da querida Stella). Palavra que só existe em português e que não tem como traduzir ... acho que é porque tem muitos significados.

Convivi por pouco tempo com meus avós paternos. Minha avó morreu de uma doença sem cura e movido por uma saudade, meu avô pouco tempo depois, tentou tirar sua própria vida. Conseguiu. Teve ajuda de uma arma de fogo. Acho que ele ficou com muita saudade e como doeu muito, queria sentir no próprio corpo a dor que sentia no seu coração. Devem estar de mãos dadas agora. Com meus tios e tias, uma relação distante. Primos e primas também. Adoro alguns poucos que me preenchem. Vazio assim.

Meu avô materno também tentou tirar sua própria vida. Só que foi aos poucos. Um vício incontrolável e muitas besteiras pelo caminho. Faleceu sozinho e acho que quase sem dor. Melhor assim. Mais uma vez tios, primos e primas distantes. Faltam figurinhas.

Minha avó, essa sim eu tenho! Resistente, forte e lúcida aos 94 anos. As mulheres dessa família são assim. Braveza pra lidar com a vida. Tá no sangue!

Meu pai se foi, mas seis meses depois fomos abençoados com a primeira gestação de minha irmã. Nasceu a Brenda. Preencheu um vazio na casa. Ocupou um espaço físico, um espaço no coração. Cinco anos depois, chegou a Bruna. Doce Bruna. Essa página do álbum está completa. Só que agora, elas moram lá em Salvador. Sinto falta do dia a dia. Sinto falta dos almoços de domingo e da casa cheia. Vazio do cotidiano.

Por outro lado, tenho muitos amigos que me preenchem e sou “agregada” da família deles. Participo de festas de família, aniversários, muitos natais. Coisas simples assim que toda família tem. E gosto tanto que carinhosamente os chamo de tios e tias. Página cheia.
















terça-feira, 11 de janeiro de 2011

GALERIA CARDIFF & MILLER EM INHOTIN

Uma obra de arte para apreciar de olhos fechados. Foi assim que consegui perceber uma obra tão fantástica e enigmaticamente orquestrada pelas 98 caixas de som estrategicamente posicionadas em um galpão construído em Inhotin para a obra "O assasinato dos Corvos". Um sonho bizarro narrado na voz de Janet Miller reproduz através do gramofone uma tecnologia que impressiona apenas com o som.

"Os visitantes são convidados a sentar-se no centro, em cadeiras demarcadas. O trabalho de áudio, que emana de todos os alto-falantes e é gerado por gravações polifônicas especiais e técnicas de replay, consiste de marchas, canções de ninar, texto falado e composições musicais gravadas, um som se seguindo ao outro, evocando uma narrativa de sonho com efeito imediato, surpreendente e desconcertante."

O mais bacana é dizer que não precisamos ir longe para apreciar arte, arquitetura, paisagismo e cultura. Valorizar o que tá tão pertinho, logo ali em Brumadinho, nos arredores de Beagá é o mais encantador. www.inhotin.org.br



Vista da instalação na Nationalgalerie im Hamburger Bahnhof, Berlim, 2009

Foto: Roman März